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Feiras ou marketing digital na indústria: como fazer as contas ao custo por contacto

João Ribeiro
4 Ago 2026

A sua empresa aprovou o orçamento para a próxima feira do setor. Aluguer do espaço, construção e montagem do stand, transporte de peças de amostra, hotéis, refeições, e a melhor equipa comercial fora do chão de fábrica durante quatro dias. Já fez esta conta vezes suficientes para saber que sai caro.

O que raramente se faz é a conta seguinte: quanto custou cada contacto que veio de lá. Sem esse número, a decisão de repetir a feira no ano seguinte toma-se por hábito. Este artigo mostra como calcular esse valor com os números da sua empresa, como o comparar com o custo de aparecer no Google e no LinkedIn durante doze meses, e o que fazer com os cartões nas duas semanas a seguir ao evento.

Some tudo, não apenas a fatura do stand

A maior parte dos gestores avalia o peso de uma feira pela fatura do organizador. Essa é a parte visível. Para chegar ao custo real, junte o aluguer do espaço, a construção e montagem do stand, o transporte e seguro das peças de amostra, os folhetos e catálogos impressos, as deslocações, o alojamento e as refeições.

Falta a parcela que quase ninguém contabiliza: as horas da equipa. Três comerciais e um técnico durante quatro dias, mais os dias de preparação e montagem, valem muito dinheiro em salários e em trabalho que ficou por fazer na fábrica. Ponha esse custo na folha, ao lado dos outros. É a única forma de comparar a feira com qualquer outra coisa.

Divida pelo número de contactos que interessam

Com o total fechado, conte os contactos. Conte apenas as empresas que se enquadram no que a sua fábrica faz e que têm dimensão e necessidade compatíveis. O fornecedor de café e o estudante que passou pelo stand ficam de fora.

Divida o custo total por esse número. Uma feira de vinte mil euros que rendeu cinquenta contactos válidos custou quatrocentos euros por contacto. Se rendeu quinze, custou mil trezentos e trinta. É o mesmo tipo de conta que faz para saber o custo por peça numa série, e serve exatamente para o mesmo: decidir com números em vez de com sensações.

Faça esta conta para as duas últimas feiras em que esteve. Bastam vinte minutos com as faturas e a lista de contactos. O resultado costuma surpreender, para um lado ou para o outro, e passa a ser a referência com que compara tudo o resto.

Caderno com anotações, cartões de visita e uma peça maquinada em aço numa bancada de oficina
O seguimento dos contactos de feira decide o retorno do investimento.

A mesma conta aplicada à presença online

A pergunta a seguir costuma ser se vale a pena investir em marketing digital. A resposta sai da mesma folha de cálculo. Aparecer no Google quando um comprador pesquisa pelo processo que você domina, e estar presente no LinkedIn onde ele confirma se a empresa é séria, também custa dinheiro. A diferença está na distribuição: o investimento reparte-se pelos doze meses em vez de se concentrar em quatro dias.

Se investir mil euros por mês e receber dez pedidos de cotação qualificados, cada contacto custou cem euros. Se receber quatro, custou duzentos e cinquenta. Compare esse número com o da feira e a decisão deixa de ser uma questão de opinião. Faça a comparação com os seus próprios valores antes de tirar conclusões, porque o resultado muda bastante consoante o setor, a dimensão média da encomenda e a qualidade do seguimento que a equipa faz.

Há uma vantagem que a conta não mostra. Os pedidos chegam ao longo do ano, o que dá tempo à equipa de orçamentação para analisar cada projeto, calcular prazos com folga e defender a margem. Encomendas que chegam todas ao mesmo tempo obrigam a decidir depressa, e decidir depressa custa margem. Sobre como o site prepara essa chegada, escrevemos em como aparecer no Google quando um engenheiro pesquisa uma especificação.

A máquina que só trabalha quatro dias por ano

Imagine que compra um centro de maquinação de cinco eixos e o liga durante quatro dias em Maio. Nos restantes trezentos e sessenta e um, fica parado com a luz apagada. Nenhum diretor de produção aceitaria isso. O objetivo de qualquer investimento em equipamento é ter a máquina a produzir o maior número de turnos possível.

Concentrar toda a angariação comercial numa feira é a mesma coisa aplicada às vendas. A estrutura existe o ano inteiro, os custos fixos correm o ano inteiro, e o esforço de trazer clientes novos acontece numa semana. Uma presença online que funciona é o equivalente a pôr essa máquina comercial a laborar em segundo plano nos outros onze meses.

O digital serve para rentabilizar a feira

A leitura de que a internet substitui o aperto de mão está errada. Numa venda industrial, o comprador quer ver a peça, perceber quem está do outro lado e sentir que a fábrica cumpre. A feira faz isso melhor do que qualquer outro canal. O que o trabalho online faz é multiplicar o retorno das mesmas quatro portas.

Antes

Nas semanas anteriores ao evento, é possível chegar aos compradores que já andam a procurar capacidade e marcar reuniões com hora definida. A equipa viaja com a agenda parcialmente preenchida em vez de esperar que alguém entre no stand por acaso.

Durante

O comprador sai do stand e a primeira coisa que faz é procurar a empresa no telemóvel. Quer confirmar o parque de máquinas, as tolerâncias que pratica e os trabalhos que já fez. Se o site for uma brochura institucional sem informação técnica, a conversa que teve no stand perde força. Este ponto está desenvolvido em o que o seu site precisa de mostrar para o comprador pedir orçamento.

Depois

A maior parte do investimento perde-se nesta fase. A equipa regressa cansada, a caixa de correio está cheia de urgências da fábrica, e os cartões ficam numa gaveta. O ciclo de compra industrial demora meses, por isso o contacto que não deu nada em Maio pode dar encomenda em Novembro, desde que a sua empresa continue presente. Uma newsletter mensal resolve boa parte disto, como explicamos em como garantir que o cliente liga para si quando precisar da próxima encomenda.

O que fazer com os cartões nas duas semanas a seguir

Este processo aplica-se esta semana, sem contratar ninguém e sem comprar software.

  1. No dia seguinte ao regresso. Abra uma folha de cálculo com quatro colunas: nome, empresa, email, e o detalhe técnico que discutiram. Passe os cartões para lá enquanto ainda se lembra das conversas. Ao fim de uma semana já não se lembra.
  2. Nas primeiras 48 horas. Envie um email curto a cada um, da sua conta normal. Refira o detalhe técnico concreto que falaram, para o comprador saber que é você e não um envio em massa. Anexe um PDF de uma página com o parque de máquinas, capacidades, tolerâncias e três trabalhos representativos. Termine a perguntar se há algum projeto em cima da mesa para orçamentar.
  3. Ao décimo dia. Telefone a quem não respondeu. Uma chamada curta, a perguntar se o PDF chegou e se faz sentido falarem. A maior parte dos contactos de feira morre porque ninguém faz esta chamada.
  4. Ao terceiro mês. Volte à folha e contacte de novo quem disse “para já não”. Em compras industriais, “para já não” quase nunca significa “nunca”.

Quatro passos simples aumentam o número de pedidos de cotação que saem da mesma feira, com o mesmo stand e o mesmo orçamento. O trabalho no LinkedIn durante o resto do ano faz o mesmo pelo resto do calendário, e sobre isso escrevemos em como o comprador industrial usa o LinkedIn antes de lhe pedir um orçamento.

O próximo passo

Faça a conta das duas últimas feiras. Se o custo por contacto lhe parecer alto, o problema pode estar na feira, no seguimento, ou em ambos. A conta diz-lhe qual.

Para quem quer testar o canal digital com orçamento controlado, o ponto de entrada costuma ser o Google Ads B2B para a indústria.

Se quiser uma segunda opinião sobre esses números, a Clarmaj faz um diagnóstico gratuito de posicionamento e concorrência. Olhamos para o que a sua empresa gasta a angariar clientes, para o que os seus concorrentes já mostram online, e dizemos onde está o desperdício. Sem compromisso e sem apresentação de vendas.

João Ribeiro

Fundador & Head of Strategy na Clarmaj

Especialista em marketing B2B para o setor metalomecânico e industrial. Com mais de 15 anos de experiência em digitalizar processos de vendas complexos para fábricas nacionais e internacionais.

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